Vivemos o resultado – direto ou indireto – das nossas escolhas, ações, omissões e crenças. Somos quem comanda o volante e dirige o caminho. Para o bom e para o menos bom, há em nós responsabilização. Nem sempre a queremos ver – é mais fácil apontar o destino, o karma, o mau olhado, a inveja, a sorte que não aparece ou a vida que é injusta, como culpados -, mas as respostas estão sempre em nós.
A responsabilidade pesa, mas é com ela que começamos a ver tudo com olhos mais claros. Com responsabilidade, saímos do papel de vítima e encarramos o protagonismo: o trabalho que já não nos assenta deixa de ser um castigo divino e passa a ser uma escolha que fazemos diariamente, a relação tóxica onde permanecemos já não é um azar, é algo que aceitamos, talvez por medo, talvez por hábito, a falta de tempo já não é só uma fatalidade, é o resultado das nossas prioridades. Não é fácil encarar isso, mas é libertador.
Agarrar as cordas da própria vida não significa ter tudo sob controlo. Há coisas que permanecem fora de alcance – a morte, a doença, as decisões alheias e até o acaso. Contudo, há algo que nos pertence: a forma como reagimos aos acontecimentos. Podemos não controlar o que nos acontece, mas controlamos o que fazemos com o que acontece. Não cruzamos os braços, orientamos o leme! É aqui que mora a verdadeira liberdade: na escolha consciente e consistente. Com responsabilização, escolhemos não repetir padrões, escolhemos o perdão sentido, escolhemos dizer ‘não!’ sem culpa, escolhemos cuidar do que somos antes de tentarmos salvar o mundo à nossa volta. A vida continua com altos e baixos, mas já não somos levados pela corrente. Somos nós que remamos.
Ser responsável por si não significa carregar o mundo às costas. Não se trata de fazer e resolver tudo sozinho, nem ser forte o tempo todo. Pelo contrário, a leveza da responsabilidade ajuda-nos a entender que não precisamos de controlar nada além do que depende de nós, obrigando-nos a distinguir o que é nosso e o que não nos pertence. Curiosamente, a vida fica mais leve porque deixamos de lutar contra o inevitável. Aceitamos o que vem, sem resistência nem drama, e continuamos o nosso caminho, certos do que queremos e de onde queremos estar. Responsabilidade é maturidade emocional.
Assumir responsabilidade sobre nós é participar ativamente na nossa vida, de forma consciente. É perceber que não somos marionetas do destino, somos coautores do guião. Crescemos, deixamos que o medo perca força e a confiança ganhe espaço, descobrimos o verdadeiro significado de estar em paz. A responsabilidade é, também, liberdade. É o princípio de tudo o que realmente importa.
Nós somos os únicos elementos constantes da nossa vida – em toda a sua duração. Isso é extraordinário porque significa que somos nós que temos o poder de mudar tudo – a qualquer momento. Não há azares que nos prendam nem destinos que nos condenem, até porque, na realidade, a vida só quer que sejamos felizes! Há, sim, caminhos, escolhas e possibilidades.
Sermos responsáveis pela nossa vida é um dos nossos maiores atos de amor-próprio. É confiança no que somos, no que acreditamos, na nossa capacidade de criar, aprender e recomeçar. Quando chegamos a este ponto, a vida já não nos acontece. Nós é que acontecemos à vida.

