Acordar e adormecer deviam ser atos simples, indolores e de grande paz interior. Deviam carregar em si simplicidade. Deviam, mas sabemos bem que, infelizmente, para muitos, são atos profundamente dolorosos.
Tentar adormecer, em profunda ansiedade, é algo de tanto mas tanto esforço para quem, dia após dia, tenta lutar contra um batimento cardíaco que quase dá a sensação que o coração vai sair do corpo… Só se deseja que a noite passe rápido, porque só o dia pode resolver, um pouco, a sensação de nunca se ter paz. Só o dia acolhe e reconforta. Por outro lado, muitos sentem um peso terrível ao acordar… quase que custa a respirar. Como se acordar para viver fosse um sufoco tamanho como carregar a cruz.
No entanto, quando custa a respirar para adormecer, para acordar e, até, para viver algo está muito errado nas nossas vidas. Respirar devia ser leve e tranquilo. Quando assim não é, não há duvida que, fisicamente, o corpo está a dar-nos sinais claros e inequívocos que algo tem de mudar e já!
Pois é, mas nós somos peritos em autossabotagem e temos uma profundíssima resistência à mudança. Onde nos leva este caminho? A um tormento diário. A ansiedade passa a ser a nossa melhor amiga, mas não fossemos nós prós no disfarce, aprendemos a conviver com ela. E, olhando para nós, ninguém diria, pois continuamos a ser divertidos, sorridentes, a esbanjar (in)felicidade e “de bem com a vida”. Tudo mentira! Profissionalmente, mantemos o rendimento, o mesmo foco e interesse. Ninguém faz é a menor ideia de que, para isto acontecer, para a concentração se manter a mesma, o esforço é 5 vezes maior. Aliás, qualquer tentativa de compatibilizar ansiedade e concentração é mera ficção. Chega-se ao fim do dia exausto e, quando dormir parecia ser a solução mais reconfortante, é, afinal de contas, o ultimo inferno do dia.
Se se vive todos os dias nesta coisa “meio morta”, porque é que se continua sem agir? Porque é que se continua a “empurrar com a barriga” a mudança? Porque é que se continua a fingir estar feliz em vez de, efetivamente, se escolher ser feliz? Por medo. Medo de falhar, medo do julgamento. O medo torna-nos tão imbecis que, por ele (pelo medo), até deixamos de querer ganhar. Ganhar uma vida além do cinzento “mais do mesmo”.
Mudar e, desengane-se quem acha que é coisa fácil, é duro e, em alguns casos, até heróico. Pelo meio, por vezes, perdem-se pessoas importantes, lugares, travam-se batalhas e ganham-se inimigos. Perdem-se umas coisas e ganham-se outras. Afinal, se mudança significar voltar a ter energia para viver, a ter paz interior, a ter esperança e sonhos, a ter o reconforto da almofada e a pacificação da ansiedade, não restam duvidas que a escolha foi a certa.
É realmente muito difícil respirar um ar que não queremos e viver sem prazer em nada que se faça. Há quem escolha tomar comprimidos. São ótimos a “adormecer” e camuflar a dor, mas são terríveis para a alma. E cada dia que passa a fazermos isto a nós mesmos, é mais um dia a viver sem vida e a viver a mesma vida que tão infeliz nos deixa. E, assim viverão até morrerem. sendo que, na verdade, mortos já estariam há muito.
Contudo, há quem escolha viver sóbrio. Quem sabe o impacto de, dia após dia, se sentir cada vez mais triste, cada vez mais dentro de uma vida que não lhe serve, e estas pessoas, por mais que adiem, vão acabar por chegar ao dia do “não suporto mais isto”. Ninguém aguenta estar infeliz muito tempo. Ninguém aguenta viver em ansiedade, sem dormir e com a vida em stand by. E, no dia em que a decisão é tomada, não existem forças contrárias que nos afetem ou afastem do nosso objetivo. Amigos e família que só nos atrasam e entorpeçam “as pernas” deixam de ser um problema.
E, quando a mudança começa a acontecer, a magia acontece. Porque fazer acontecer, porque sermos os comandantes da nossa própria vida, dá-nos uma incrível sensação de invencibilidade. A ansiedade desvanece-se, dormir passa a ser tão tranquilizante que quaisquer 8 horas parecem curtas demais, passamos a conseguir respirar profundamente, mas, acima de tudo, deixa de se viver no cinzento e os dias, mesmo que cinzentos, passam a ser azuis.
Mudar significa dar à vida o poder e propósito que lhe compete. E que não restem duvidas que a vida só tem um propósito: Fazer-nos felizes.
Rumo à felicidade, que comece a mudança. Não tenha a menor duvida que no caminho, ligeiramente mais à frente, nos espera o tão desejado “felizes para sempre”.
E quem diria que seria a dor um excelente ponto de partida para sermos felizes?

