O Sol já entrou no signo de Peixes e caminhamos para o Eclipse do Sol que se irá dar no próximo domingo, um forte, poderoso e intenso eclipse que, em consonância com o que nos tem sido dado a viver, coloca-nos nas mãos a capacidade de repensarmos, reajustarmos e reequilibrarmos o que considerarmos que nas nossas vidas não está bem, que não está correcto, que já não nos permite avançar. Contudo, para que tal possa ser possível, precisamos de fazer o que tantas vezes nos é pedido, mergulhar no mais profundo de nós e atravessar o nosso “vale da sombra da morte”, o nosso lado mais sombrio, escuro e frio, aquele que, como um caminho estreito entre montanhas gigantescas, nos direcciona para a luz brilhante da nossa essência.
Em cada um de nós há um oceano imenso que necessita de ser descoberto, revelado e compreendido. Dentro de cada um de nós há uma profundidade emocional onde residem tesouros perdidos e monstros fantásticos, mas perigosos. Na verdade, nós somos em tudo parecidos com a nossa Terra, a nossa Mãe primordial. Se quisermos aceder ao nosso centro, teremos, necessariamente, que passar pelas nossas emoções, pelo nosso lado mais profundo, que tantas vezes esconde o que não queremos mostrar. Ainda que trabalhemos só o visível, mais cedo ou mais tarde, encontraremos as águas profundas, escuras e densas que existem em nós, e só encarando-as e percorrendo-as conseguiremos aceder ao diamante que se encontra no centro do nosso ser.
O que nos está a ser pedido, por estes dias, com tanta energia emocional, ligada, totalmente, à energia do signo de Peixes, que vai ter o ponto alto com o Eclipse Solar Anular do próximo domingo, é que compreendamos, definitivamente, que não podemos crescer, desenvolver, evoluir, revelar a nossa essência e as coisas fantásticas e únicas que cada um de nós trouxe à Terra para fazer, mudar as nossas vidas e transformar o sofrimento em alegria, sem caminhar pela profundeza de quem somos, sem morrer em quem somos para renascer na nossa Centelha Divina. É preciso quebrar os nossos padrões, as capas, armaduras e máscaras duras e pesadas que colocamos ao longo da vida, que foram necessárias em certos momentos, mas que já não nos servem para nada, tornando-se, elas mesmas, um hábito, um vício.
Tudo o que temos vivido, através da dor e de muito sofrimento, que tem-nos mostrado tantas e tantas coisas, algumas tão evidentes que só não vemos se não quisermos olhar para nós, tem sido um enorme processo de transformação que, na verdade, era, e continua a ser, extremamente necessário. No entanto, neste momento em especial, na verdade, não nos é pedido que iniciemos ou continuemos mais alguma batalha. Pelo contrário, agora é tempo de parar e mergulhar nas nossas emoções, de deixá-las fluir em nós e limpar as feridas que o tempo nos deixou. Podemos escolher, sem dúvida, face a toda a energia que nos rodeia, continuar a viver essas batalhas, a lutar indefinidamente contra gigantes imaginários, a alimentar os nossos monstros. No entanto, se pararmos e olharmos bem para dentro nós, veremos que a intensidade que é vivida neste momento é um impulsionador, é uma faísca que nos permite acender a tocha imensa que é a nossa centelha, bem dentro do nosso coração, que, ela sim, ilumina o nosso caminho.
Somos em tudo semelhantes à nossa Mãe Terra e, como nós fazemos com o mundo que nos rodeia, conhecemos melhor o exterior, os planetas que nos rodeiam, a sua composição, ainda que sem certezas absolutas, do que os nossos oceanos. Da mesma forma, por milénios, vivemos mais no que está para além de nós, através de verdades absolutas e dogmas, de estruturas de controlo, poder e manipulação, e ainda que tenhamos filosofado sobre Deus e todo o mundo que existe para além da esfera tridimensional, a verdade é que ainda não compreendemos verdadeiramente que dentro de nós há o reflexo de tudo isso, que se queremos encontrar o Pai, temos de nos aceitar como seus filhos, e isso é aceitar a nossa divindade, a nossa centelha.
Contudo, tal só é possível quando mergulhamos dentro de nós e compreendemos que esse Amor que tudo criou e tudo cria, ao ser materializado na Terra, contido num corpo físico, veículo de evolução, teve de ser transformado e desmultiplicado em emoções, sentimentos e percepções que fluem por nós, e que é pela sua expressão, através do amor, da partilha, da compaixão, da aceitação, mas, acima de tudo, do perdão, que vamos unindo as suas moléculas e revelando e exprimindo a mais bela essência que somos. No fundo, nada mais nos é pedido neste momento, do que sermos a água que existe em nós, deixarmos da ideia de que temos emoções para compreender que, na verdade, nós somos a mais pura expressão do Amor.
Leonardo Mansinhos

