Entrámos nos últimos dias do movimento retrógrado de Mercúrio, algo que a tantos, essencialmente por ignorância, causa confusão e, em algumas situações, pânico. É certo que é sempre um momento um pouco complexo, com contratempos e situações um pouco mais chatas, mas ele é de extrema importância para todos nós. Contudo, menosprezamos este momento, olhando apenas para os seus efeitos mais negativos, e esquecendo o que ele, realmente nos pede. É preciso relembrar que, embora o movimento retrógrado de Mercúrio termine no dia 3 de Maio, a verdade é que durante os próximos dias ainda sentiremos os seus efeitos.
Observemos, por uns instantes, o mundo à nossa volta. Uma energia um pouco mais pesada, mais densa, mais estranha, nos envolve. Até o tempo, que andava mais quente e ensolarado, começou a mudar. No fundo, o que os céus nos pedem é para pararmos um pouco, olharmos para dentro de nós e reflectirmos sobre o caminho percorrido, sobre quem somos, quem pretendemos ser, sobre o que nos falta fazer e o que nos está a ser solicitado.
Estes momentos de Mercúrio Retrógrado são pausas necessárias no nosso ritmo, um convite do Universo a respirarmos, a recordarmo-nos dos passos que foram dados, a olhar para eles, analisá-los e definir os novos rumos. Contudo, vivemos num frenesim constante, numa ânsia de chegar num lugar que nem sabemos bem qual é, mas que, temos a certeza, precisamos de ir. Quando caminhamos sem rumo, qualquer trilho serve, quando apenas o que nos interessa é avançar, os caminhos se abrem para que passemos, mas sentimos sempre como se não saíssemos do mesmo lugar.
Por isso, nestes momentos, como o que estamos a viver, somos levados a olhar para nós, para percebermos esses passos dados, para nos recordarmos que, mesmo para vivermos, precisamos de respirar, que esse respirar implica uma inspiração e uma expiração, e que entre elas há uma pequenina pausa, essencial, sem a qual não seria possível este processo. Da mesma forma, entre movimentos, entre caminhos, há tempos de reflexão, de paragem, de reajuste, para recompormos as nossas energias, para revermos, repensarmos e nos organizarmos.
Desprezar estes momentos é entrar num looping intenso e sermos parados à força, é sentirmos uma frustração, uma sensação de falha, uma falta de compleição. É, por outro lado, vivermos picos de energia, daqueles que avariam os aparelhos e causam contratempos, simples e subtis chamadas de atenção para, por fim, pararmos um pouco, desligarmo-nos do mundo, olharmos para nós, reflectirmo-nos nas nossas próprias emoções e deixarmo-nos inundar por elas.
No fundo, a única coisa que nos é pedido é que aceitemos as emoções que vivemos, deixemo-las vir cá para fora, nos permitamos sentir, no mais profundo de nós, o mais elevado e subtil que existe em nós. Assim, como este momento nos pede, seremos capazes de cumprir o desígnio deste momento, o de quebrar barreiras e rasgar padrões, ultrapassar medos, dúvidas, restrições e obstáculos, reconhecer que somos uma partícula de Deus a habitar a Terra e que há algo de único e especial que temos para fazer, para oferecer.
Contudo, para tal, há que parar, reflectir, olhar para essas feridas e dar-lhes amor, compreendendo que, apenas de coração podemos percorrer um trilho, apenas ele nos mostra o destino certo para nós, que esse caminho é único, sim, e muitas vezes carregado de pedras e espinhos. Quando percorremos o nosso verdadeiro caminho, em amor, a cada passo, pedras e espinhos se transformam em pétalas, se moldam em degraus que nos permitem alcançar novos patamares, e oferecem-nos bálsamos e recompensas, mas que só os podemos ver e aproveitar se soubermos viver também estes momentos de pausa e reflexão e beber da sua sabedoria, pois nada no Universo, na vida ou em nós é fruto de um acaso ou de uma coincidência, tudo é, também, uma reflexão.
Leonardo Mansinhos

