Quantas vezes se sentiu aquém? Ou numa pressa desmesurada para ser mais do que é? Ou ansioso por ser como os outros, dividido entre a felicidade do seu sucesso e a ansiedade de nunca chegar lá?
Não, não está sozinho.
Somos, acima de tudo, animais gregários. Crescemos e aprendemos com os outros, afinal, vivemos em sociedade. Por isso, comparar e sentir alguma inveja são emoções profundamente humanas e que não têm mal nenhum, desde que não fiquemos presos nelas, deixando-nos levar, questionando-nos ou moldando a nossa vida para responder a esses estímulos.
No entanto, na era das redes sociais, este sentimento parece ter-se amplificado. Por um lado, conseguimos chegar a muitas mais pessoas e perceber que há tanto que nos une, que tantos travam a mesma batalha, que muito do que sentimos é universal, que não estamos sozinhos. Por outro, temos também maior acesso às vidas e aos êxitos que os outros decidem mostrar-nos: muitas vezes, o melhor, algumas vezes o pior, nunca a imagem completa. E parece que nos sentimos ainda mais sozinhos.
Contudo, porque é que é mau sentirmo-nos sozinhos, sentirmo-nos únicos?
Somos efetivamente únicos. Cada um de nós tem aspirações, objetivos, histórias, experiências diferentes. O problema não está em sentirmo-nos sozinhos, em ter necessidade de comparar, em estar ansiosos ou ter alguma inveja. O problema está em não sabermos quem somos realmente.
O autoconhecimento e a honestidade connosco próprios são essenciais para a felicidade e o sucesso. Hoje em dia, somos mais livres do que em qualquer outro momento da História para escolher, experimentar e decidir a nossa vida. No entanto, os níveis de ansiedade e de stress não param de aumentar. E embora a pressão social e económica seja uma das causas, existe uma questão fulcral que temos de ter sempre em mente: “o que significa sucesso para mim?”
É esta, e só esta, a parte que conseguimos controlar e moldar.
Confundimos sucesso com ter muito – dinheiro, propriedades, relações. Efetivamente, sucesso, para alguns, será ter uma carreira importante na sua área de trabalho e conseguir muito dinheiro. No entanto, para outros, “ter muito” é conseguir viver trabalhando apenas o necessário, ou construir relações sólidas, duradouras, uma família e um lar, ou sentir paz interior no seu dia a dia – o que, convenhamos, pode ser desafiante atualmente.
Há tantas modalidades de sucesso! Qual é a nossa? O que podemos fazer para lá chegar?
Primeiro, precisamos de uma viagem até ao nosso âmago para nos conhecermos e para percebermos, com honestidade, o que realmente queremos e nos faz bem. Por vezes, por detrás do “querer ter muito” há uma carência escondida. Pode passar por acreditar que, dessa forma, somos mais atraentes, teremos mais amor, que não teremos de trabalhar naquela função de que não gostamos, que não teremos preocupações com o futuro, que poderemos ter tranquilidade de espírito. E efetivamente ajuda. Mas temos tantos exemplos de pessoas com dinheiro e bem-sucedidas que são infelizes, que isso deve fazer-nos refletir se não é preciso perceber o que está realmente no centro do que queremos.
Devemos identificar as nossas referências inconscientes, analisar os nossos padrões geracionais, perceber que parte foi a cultura imposta pela sociedade, as expectativas da família, e, aí, ser honesto connosco próprios para ir largando o que não faz falta e chegarmos à conclusão: é isto.
Sem medos: é isto.
Porque é aí, no centro do que realmente significa sucesso para nós, que se encontra o que procuramos: a felicidade e a tranquilidade. Não é na vida dos outros, não é no acesso a tudo, não é no cumprimento do que esperam de nós. O sucesso está na liberdade para decidir e procurar, com honestidade, o que efetivamente queremos. A felicidade é um caminho que tomamos quando conseguimos dar passos na direção de quem realmente somos.

