Ser e Ter. Dois verbos que são muito parecidos na sua grafia, mas muito diferentes no seu significado.
Ser é um verbo curto, mas complexo e intimamente conectado aos indivíduos, ao Ser Humano. Os verbos estão ligados a ações e, tal como eles, nós existimos, vivemos e, acima de tudo, somos. É um verbo que está embrionado em nós e não se descola de nós. Usamo-lo para nos descrevemos, para nos apresentarmos ao mundo e também para nos afirmarmos nele. É a nossa essência.
No entanto, somos ensinados desde cedo a conquistar, a pensar em objetivos, em ter tudo delineado e pouco se fala em Ser. Vamos mudando de fase de vida, de faixa etária, mas, quando alguém nos conhece pela primeira vez, ou quando alguém nos encontra ao fim de algum tempo, não é raro que as primeiras perguntas sejam sobre aquilo que temos conquistado. Percorremos o nosso caminho muitas vezes com base em conquistas e, em diferentes fases de vida, buscamos alcançar determinados objetivos, sendo que, muitas vezes, trata-se de algo material: um carro, uma casa, um emprego… focamo-nos, naquilo que temos. Na posse. No desejo de ter, não de ser.
Quando nos centramos no “ter”, estamos a direcionar a nossa energia para o mundo material, para aquilo que é palpável. Contudo, se nos focarmos no mundo material e na nossa relação com ele, conseguimos perceber que podemos perfeitamente alcançar aquilo que desejamos e não estarmos em sintonia com a nossa vida, sem nos sentimos em pleno, realizados e felizes. Parece paradoxal, mas a verdade é que, às vezes, estamos tão focados em ter tudo o que queremos, que dirigimos toda a nossa atenção para esse ponto e esquecemo-nos de tudo o resto.
Por isso, é importante mergulharmos fundo naquilo que preenche a nossa alma. Não importa se se trata de algo mais introspetivo ou se se trata do desenvolvimento de nós mesmos, mas sempre com o objetivo de sermos cada vez mais a pessoa que desejamos ser. Este mergulho profundo e necessário leva-nos a conhecer-nos melhor, ouvindo o nosso corpo, entendendo cada emoção que desperta em diferentes tipos de momentos e aquilo que cada aspeto da nossa realidade nos faz sentir. Só assim nos sentiremos plenos e conectados com a nossa essência, irradiando dentro de nós um estado de felicidade alcançado através do nosso interior e não do nosso exterior.
Cultivemos em nós (e nos outros) estes exercícios de mergulho no nosso dia-a-dia. Ser não é algo a ser explorado apenas em momentos de retiros, mas num momento contínuo na nossa jornada aqui na Terra. Ao realizarmos este mergulho interior, estaremos a conhecer-nos melhor interiormente e saberemos melhor aquilo que é o alimento, o combustível necessário para a nossa alma. Saberemos aquilo que nos desperta emoções mais positivas e mais negativas, saberemos aquilo que nos ilumina e nos move verdadeiramente. Contrariamente àquilo que podemos possuir, o nosso Ser não é finito, não é material, não é efémero. É eterno e é ao sintonizarmos com o nosso Ser que conseguimos ascender e ser felizes em pleno.

